O que eu valorizei neste estágio: transcultural experiências e novos entendimentos

Eu acredito que os intercâmbios internacionais, podem ser uma das experiências mais desafiadora, mais gratificantes na vida. Esse tipo de experiência requer muita paciência e motivação para que nos adaptemos à uma nova configuração cultural, especialmente tendo que usar um idioma diferente. Eu valorizei esta experiência imensamente. Como tenho aprendido sobre todas as coisas que são diferentes no Brasil do Canadá!

Trabalhando com os catadores de Cooperativa Chico Mendes

Trabalhando numa ONG brasileira em português, definitivamente tive dificuldades. Às vezes me sentia totalmente perdida sobre o que estava acontecendo. Eu tive sorte em ter minha colega Ana para me ajudar, especialmente no começo, quando eu estava me acostumando com o sotaque brasileiro e as palavras e as gírias diferentes. Claro que a melhor maneira de aprender um novo idioma é imergir para tentar o seu melhor e aprender novas palavras e expressões. Eu sinto que o meu Português tem melhorado muito, e eu realmente aprecio a paciência e disponibilidade de todos os meus colegas de trabalho e dos meus novos amigos aqui em São Paulo.

Almoço com amigos da cooperativa

Além da experiência transcultural incrível que eu valorizo, também valorizo todos as novas compreensão e conhecimentos que adquiri durante o meu tempo trabalhando com o Ecoar. Trabalhando todas as semanas com as cooperativas de reciclagem me fez mais consciente das próprias contribuições que devo fazer para a melhoria do meio ambiente, como a conservação de energia e a reciclagem. As aulas sócio-ambientais que nos fazemos cada semana por as cooperativas de reciclagem, têm me dado um grande entendimento sobre como envolver membros da comunidade e trabalhadores em iniciativas de aprendizagem participativa. Eu sinto que estes tipos de projetos melhoram as habilidades e o conhecimento de todos os envolvidos, também incluindo os professores. Gostei muito de meu tempo aqui em São Paulo, e vou sentir muitas saudades de todos os meus amigos que conheci aqui. Os brasileiros são algumas das pessoas mais acolhedores e hospitaleiros que encontrei! Quero agradecer a todos os meus colegas na Ecoar, meus novos amigos, bem como o programa de minha faculdade, “York International” por me proporcionar uma experiência tão importante. Eu adorei meu tempo aqui.

Mais sobre a Conferência de Estudos Globais

Tive a sorte de ter a possibilidade de acompanhar minha colega, Ana, na Conferência de Estudos Globais. Pelo fato desta de ser realizada no Rio de Janeiro, o tema principal da conferência foram as questões relativas ao Brasil. Claro que, como o Brasil faz parte das economias BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) emergentes, a economia foi um tema popular da Conferencia.

Uma das apresentações que eu achei muito interessante foi dada pelo Dr. Marcelo Cortes Neri, da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro. Seu discurso tinha direito, Emergence, Equality and the New Brazilian Middle Class, ou Igualdade emergência, e a Nova Classe Média Brasileira. Ele falou sobre o crescimento econômico do país, a partir da década de 1960, e como ele passou de alta inflação para o alto crescimento de hoje, incluindo a criação de empregos mais formais e colocar mais crianças nas escolas. Níveis de desigualdade, embora ainda muito elevados, estão agora em seus níveis mais baixos. A parte mais interessante da apresentação do Dr. Cortes Neri foi uma comparação com outros países BRICS sobre satisfação com a vida. O Brasil não tem o maior e mais rápido crescimento econômico, mas os brasileiros tem a melhor classificação entre os BRICS em termos de satisfação com a vida. Também interessante foi saber que o Brasil foi o melhor classificado no mundo, em um estudo sobre ´O Futuro Felicidade´ entre 2009-2014. O futuro é definitivamente brilhante para o Brasil, em termos de riqueza e felicidade!

Em termos de apresentações desenvolvimento ambiental ou sustentável, fiquei intrigado com um discurso proferido pelo Dr. Barbara Leonard, da Universidade do Havaí em Hilo. Ela falou sobre a necessidade de mais viagens sustentável. Ela falou duma organização chamada Sustainable Travel International (STI), que olha para destinos culturais e as taxas de los em termos de conservação ambiental e protecção do património cultural. Um destino observou foi Abadiânia, Goiás, Brasil, que o O Magazine (Oprah Magazine) fez recentemente um artigo sobre a promoção da cidade. Dr. Leonard acredita mais regular de relatórios sobre estes tipos de locais de viagem é um imperativo. Viagens sustentáveis podem ajudar a apoiar essas economias locais e mantém o dinheiro nestas comunidades, promovendo simultaneamente os viajantes mais ambientalmente consciente.

Eu poderia escrever tanto sobre as apresentações interessantes que eu vi na Conferência de Estudos Globais, mas esses foram os meus destaques. Rio de Janeiro foi o cenário perfeito para tal conferência, e estou muito feliz que eu era capaz de participar.

A Conferência de Estudos Globais, Rio de Janeiro

Durante a semana de 18 de julho, participei da Conferência de Estudos Globais, no Rio de Janeiro. Lá apresentei uma dissertação em co-autoria com a minha orientadora, Professora Ellie Perkins da Faculdade de Estudos Ambientais da Universidade de York de Toronto, Canadá. Juntas escrevemos um artigo intitulado, “Sinergias Internacionais para enfrentar as mudanças climáticas: Organização Participativa da Comunidade no Canadá e no Brasil.”

Os impactos das mudanças do clima serão especialmente graves para pessoas marginalizadas, cujo acesso aos alimentos, água potável e abrigo seguro pode ser ameaçado devido às flutuações na precipitação e temperatura, e aos eventos climáticos extremos. Nossa dissertação discutiu como a colaboração internacional pode fortalecer a organização de base comunitária para a justiça climática, o que aumenta a participação política de pessoas marginalizadas. A idéia para essa dissertação veio de nossas experiências de trabalho com organizações comunitárias, tanto no Brasil e no Canadá. As organizações comunitárias que discutimos foram a Água Doce da Baixada Fluminense no estado do Rio de Janeiro e do Projeto GreenXchange da Comunidade Jane-Finch e do Centro da Família.

Descobrimos que a justiça climática—principalmente ao abordar os impactos das mudanças climáticas sobre os mais pobres—é um imperativo poderoso em todos os níveis, do local ao global. Este movimento contribui para a construção de  resiliência frente as repercussões sociais e políticas de eventos climáticos extremos—uma prioridade global, uma vez que  estamos todos compartilhando o mesmo mundo em processo de  aquecimento continuo.

Cooperativas de reciclagem: Parcerias de comunidade para aumentar conscientização da reciclagem

Uma parte do trabalho nas cooperativas de reciclagem envolve ajudá-los a melhorar seus negócios. Isso inclui tornar as comunidades do entorno envolvidas e conscientes sobre a existência dessas cooperativas de reciclagem. Nas últimas semanas, temos ajudado COOPERPAC de duas maneiras.

Primeiro, fomos numa escola local para desenvolver uma parceria, onde a COOPERPAC poderia recolher seus materiais de reciclagem. Percebemos ali que a maioria dos bens recicláveis é jogada no lixo. São essas pequenas reuniões e parcerias que aumentam o conhecimento sobre a necessidade de reciclar, e fazer a diferença numa escala maior para ajudar o meio ambiente. Imaginem que todo o papel que as crianças usam nas escolas, agora vai ser reciclados e diminuindo a pressão pelo corte de árvores para o processo de produção de papel.

Também aconteceu um evento em uma creche local em que nós levamos as crianças para a cooperativa a fim de conhecer seu trabalho e aprender sobre reciclagem. Depois, fizemos artesanatos com as crianças a partir de produtos reciclados. O objetivo é que as crianças levem para casa os artesanatos para os seus pais, de modo que seus pais conheçam o trabalho da cooperativa de reciclagem e trazer os seus resíduos para ali serem reciclados, em vez de colocá-los no lixo.

Com essas parcerias com a comunidade, esperamos sensibilizá-la para contribuir com as cooperativas de reciclagem que assim podem incrementar seus negócios e melhorar a qualidade do meio ambiente.

Serviço de creches: Ajudando as famílias e a nossa ambiente?

Trabalhando numa cooperativa de reciclagem cada semana, eu tomei consciência que muitas mulheres e homens jovens que trabalham lá têm filhos em casa para sustentar. Todo tempo que estou trabalhando como esses catadores, eu tenho ficado curiosa como eles podem pagar alguém para ficar com os filhos enquanto eles trabalham, ou o que eles fazem com os filhos durante os dias. Eu não queria perguntar-lhes diretamente.

Esta semana, essa pergunta foi respondida para mim quando nós visitamos duas creches que ficam perto da Cooperativa Chico Mendes. Chico Mendes tem uma parceria com essas creches, para coletar as coisas de reciclagem para separar e vender para empresas. Um das creches tinha quase 2000 crianças entre 1-5 anos. Eles tinham comida saudável, muitos brinquedos, filmes – qualquer coisa que se pode imaginar para criancinhas! Eu fiquei muito impressionada porque estas creches são absolutamente grátis para os pais. Por isso, as mães podem escolher entre ficar em casa com seus filhos ou trabalhar fora para ajudar com o salário da casa. Na maioria das vezes são as mães que fazem o papel de mãe e pai, tendo que cuidar da educação e sustento da família.

Em comparação, as creches do Canadá são extremamente caras, e por isso muitas mães ficam em casa, porque se elas pagam pelos serviços de uma creche, vão usar quase todo salário delas. Eu fiquei muito impressionada com as instalações e o trabalho que as pessoas (educadores) lá estão fazendo para pessoas como os trabalhadores da Chico Mendes. Este serviço de creches públicas, ajuda as famílias a aumentarem os ganhos trabalhando fora, como por exemplo em cooperativas para ajudar as suas próprias ambientes.

Voce conhece a sua pegada de carbono?

Uma das parcerias que Ecoar desenvolve no momento tem como foco o processo de criação de um instrumento on-line para medir pegadas de carbono individual ou, em última análise, o seu impacto sobre o meio ambiente. Participei em algumas reuniões com pessoas que estão nos mostrando esse instrumento, que será usado para ajudar a medir as pegadas de carbono para o projeto, ´Jogando Pelo Meio Ambiente,´ incluindo jogadores de futebol e as outras organizações afiliadas. Estes encontros têm me ajudado a perceber, de várias maneiras, que nem sempre faço tudo de forma correta, e que eu posso mudar para reduzir o meu impacto no meio ambiente.

Como estudante em estudos internacionais, eu gosto de pensar em mim como alguém que pensa localmente, mas age globalmente. Alguém que reduz tanto quanto possível o seu impacto sobre a qualidade do meio ambiente para preservá-lo para as gerações futuras. No entanto, ao longo desses encontros, eu percebi que ainda tenho muitos hábitos que podem ser modificados para reduzir significativamente os efeitos da mudança climática.

Aqui está uma pequena lista de dicas eu adotei durante minha estadia em São Paulo para reduzir o meu impacto pessoal sobre o ambiente:

* Minimizar o uso de aquecedores: usar roupas extra para manter quente

* Você realmente precisa de tanta frescura em sua casa durante todo o verão? Use ventiladores em vez de ar condicionado, quando não estiver muito quente.

* Ao usar um secador de cabelo, espere 15-20 minutos para deixar o cabelo secar naturalmente um pouco primeiro, isso vai economizar uma quantidade significativa de energia.

* Pendure as roupas fora em vez de usar a secadora, elas vão adquirir um cheiro mais fresco também!

* Desligue os aparelhos quando não estiver usando-os, incluindo fogão, microondas, carregador de telefone, etc …

Todos nós pensamos que somos tão pequenos no mundo e que a nossa contribuição pessoal para o aquecimento global é insignificante. Mas imagine se todos tomassem todos os meios necessários para reduzir seu consumo de energia e as emissões de gases de efeito estufa. O impacto seria enorme. O Ecoar terá, em breve, no seu website, uma calculadora disponível, onde você poderá medir sua pegada de carbono, e que também lhe dará dicas sobre como reduzir o seu impacto no aquecimento global.

Pensar globalmente, agir localmente!

As Metodologias Participavas de Ecoar

Um dos aspectos do Ecoar que mais me interessou quando eu me candidatei a um estágio foram as metodologias participavas. Na minha faculdade, eu aprendi sobre estes metodologias de fazer projetos internacionais para o desenvolvimento, então eu estava muito interessada em ver como eram estes projetos na prática.

Num das minhas aulas na Universidade York, em Toronto, eu aprendi que as abordagens participavas são cada vez mais populares em todo o mundo, especialmente para as ONG´s. A abordagem tem objetivo de contemplar o conhecimento e as opiniões de todos os membros da comunidade para a elaboração de um plano de gestão e para empoderar as populações locais. As metodologias participativas contrastam com uma maneira mais autoritária de fazer estes tipos de projetos, por exemplo, quando uma ONG dá aulas ou oficinas sem levar em conta o que as pessoas realmente querem ou precisam.

O Ecoar vem me dado uma oportunidade maravilhosa para ver metodologias participativas in loco nas zonas periféricos do São Paulo. Duas vezes por semana eu acompanho Marione na visitas as cooperativas de reciclagem para dar aulas sobre meio ambiente, como fazer a gestão do processo de reciclagem, e desenvolver habilidades de trabalho. No entanto, as aulas são dadas num jeito que inclui todo o grupo. Os membros sempre são convidados de refletir, falar, e participar nas atividades de modo que as vozes deles são ouvidas, e eles aprendem novas coisas no mesmo tempo.

Repito o que eu disse no meu ultimo blog, este encontro de aprendizado teórico com experienciais pratica é a melhor parte de fazer um estágio. Eu vou continuar tentar fazer estes tipos de conexões durante todo o meu inverno em São Paulo, trabalhando com o Ecoar.